O que perdemos com o incêndio do Museu Nacional?

Na noite de domingo (02/09) quando voltava de um dia maravilhoso passeando pelo litoral sul da Paraíba, me deparo com a triste notícia do incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro. Incredulidade, tristeza e dor foram os sentimentos que assolaram não só a mim, como a maioria das pessoas que conheciam o Museu.

Fundos do Museu Nacional: tudo destruído pelo incêndio.

A Quinta da Boa Vista, um dos poucos espaços de lazer públicos na zona norte carioca, faz parte da vida de muitos moradores da cidade e região metropolitana do Rio de Janeiro. Com seus jardins e lagos, um oásis no bairro de São Cristóvão, é acessível pra quem está na capital, para quem mora na Baixada Fluminense. Fez parte da infância de muita gente, inclusive a minha. Visitei o Museu Nacional pela primeira vez quando tinha 11 anos, com meu pai e meu irmão em um passeio da escola. Lembro-me de como fiquei encantada com os fósseis dos dinossauros gigantes e com medo das múmias da coleção egípcia. Ano passado visitei o museu novamente, 20 anos depois da primeira visita. Tirei muitas fotos (ainda bem!) Realmente era um espaço incrível, não só pela sua arquitetura neoclássica, como pelas suas coleções. Fósseis, arte Greco-romana, reprodução de uma sala do período republicano, artefatos de tribos indígenas brasileiras e da América pré-colombiana foram algumas das perdas, fora o que não ficava em exposição. Cerca de 20 milhões de itens foram destruídos, segundo matéria do G1.

O Museu, que completou 200 anos em junho foi palco de acontecimentos importantes, como a assinatura da Declaração de Independência do Brasil pela princesa Leopoldina, que culminaria com o grito do Ipiranga por D. Pedro I dias depois, em 7 de setembro de 1822.

O prédio era administrado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e sofria há anos com as condições precárias a que estava submetido. Não quero entrar nas questões políticas e institucionais, mas sabemos que muito do nosso patrimônio histórico sofre com o descaso do poder público. O que é lamentável!

Mas parte dessa culpa também é nossa! Somos um povo que tem vergonha da nossa história. Somos um povo que não aprendeu com os erros do passado. Mas também somos um povo resultado de mais de 500 anos de exploração e de não valorização da nossa própria cultura. Isso foi encabeçado por vários governantes como por exemplo, Pereira Passos na sua tentativa de transformar o Rio de Janeiro na “Paris dos Trópicos”, negando tudo que era “atrasado” e nacional. Uma matéria da BBC Brasil aponta que mais brasileiros visitaram o Louvre que o Museu Nacional em 2017. Se queremos que nosso patrimônio seja preservado não podemos esperar apenas do poder público, temos que fazer a nossa parte! Visite os museus e casas de cultura da sua cidade ou de qualquer lugar que você vá visitar. Esses locais mesmo que de forma precária, muitas vezes guardam relíquias e contam a história que não aprendemos na escola. Esses espaços são nossos, mantidos com nossos impostos e devemos sim ocupá-los e nos apropriarmos deles.

Perdemos um legado de anos de história. Muitos pesquisadores perderam uma vida de trabalho. A humanidade perdeu importantes registros históricos. Nós brasileiros perdemos uma parte de nossa identidade. E cariocas e fluminenses perderam o que foi para muitos a referência de primeiro e talvez único museu que conheceram na vida.

Vamos valorizar e visitar nossos espaços culturais e de memória! Visite um museu!

Deixo algumas fotos da minha última visita ao Museu Nacional há quase um ano.

Entrada do Museu Nacional
Acesso ao primeiro pavimento
Fósseis
“Escala humana”
Toda a riqueza de detalhes da Sala do Trono
Detalhe de um dos tetos
Corredor do primeiro pavimento
Jardim interno
Múmia da coleção egípcia
Sarcófago
Artefatos de povos da América pré colombiana.
Em visita técnica ao museu pelo curso técnico de Guia de Turismo

Para saber mais sobre a história e acervo que o Museu Nacional abrigava acesse: Museu do Rio.

*todas as fotos deste post são de minha autoria. Proibida a reprodução sem os devidos créditos.

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About Juh Oliveira

Arquiteta, guia de turismo e futura turismológa. Habitante de Baixada Fluminense. Apaixonada por viagem, fotografia e por descobrir novos lugares.

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