Febre amarela e viagens: tudo o que você precisa saber

Vai viajar no Carnaval e ainda não se vacinou contra a febre amarela? Corra até o posto mais próximo e garanta a sua vacina pra viajar com tranquilidade. A  vacina precisa ser tomada até 10 dias antes da viagem, principalmente pra quem precisa emitir o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, exigido por alguns países.

Breve histórico da febre amarela

Originária da África central (Angola, Camarões, Chade, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro Africana, República do Congo, República Democrática do Congo, e São Tomé e Príncipe), a febre amarela teve seu primeiro registro no Brasil em fins do séc XVII, em Recife. A primeira grande epidemia no Rio de Janeiro ocorreu no séc. XIX. Um navio vindo dos EUA e que havia passado por Havana e Salvador, acabou por infectar e dizimar pouco mais de 4 mil pessoas em 1850.

A vacina contra a febre amarela só foi criada em 1937 e a última grande epidemia urbana ocorreu no Acre, em 1942.

Causado pelo vírus transmitido pelo mosquito aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue, a Zika e a chikungunya, a febre a amarela está se aproximando do meio urbano e assustando a população. Para os viajantes também há uma preocupação por conta das áreas de risco, onde há necessidade de tomar a vacina. Para quem costuma frequentar áreas rurais ou naturais, os riscos são maiores caso a pessoas não seja vacinada, pois nestas áreas o vírus da febre amarela tem livre circulação.

Imagem: Blog da Saúde do Ministério da Saúde

No Brasil os estados com áreas de risco são:

Norte: todos os estados

Centro-oeste: todos os estados

Nordeste: Maranhão, Piauí e Bahia, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte.

Sudeste: todos os estados*

Sul: todos os estados*

*No Sudeste e no Sul os casos foram registrados em algumas áreas dos estados, mas é bom se precaver e se vacinar, de qualquer forma.

Segundo informação do site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, quem já tomou a vacina uma vez não precisa se vacinar novamente.  Até 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendava que deveria ser tomada uma dose de reforço a cada 10 anos, porém chegaram a conclusão uma dose é suficiente para assegurar a imunização contra o vírus da febre amarela. O Brasil passou adotar essa recomendação em 2017.

Existem em alguns casos efeitos colaterais provocados pela vacina. Isso varia de pessoa pra pessoa. Eu, por exemplo, tomei em 2016 e não tive senti nada. Me consultei antes e fiz alguns exames, pois na época estava com chikungunya. Por isso é importante conversar com um médico  e passar por check-up antes de se vacinar, para saber se está tudo bem com seu organismo.

Há também contra indicações, não devem tomar a vacina:

– crianças com menos de 6 meses de idade

– gestantes e lactantes

-pessoas com baixa imunidade resultante de doença (HIV, Aids, leucemia, linfoma) ou de tratamentos e medicação (corticóides, metotrexate, quimioterapia, radioterapia)

– pessoas alérgicas a algum dos componentes da vacina (ovo, eritromicina, gelatina)

* os maiores de 60 anos precisam passar por uma avaliação médica antes de serem vacinados.

Doses fracionadas

As doses fracionadas das vacinas são resultados da divisão da dose inteira normalmente administrada, que imuniza contra a febre amarela por um tempo determinado. Segundo informações da Fiocruz , 1/5 da dose da dose padrão garantiria a imunização contra a febre amarela por pelo menos 8 anos. As doses fracionadas a principio serão aplicadas nos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro.

Para viagens internacionais:

Como obter o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP)

CIVP – Imagem: Portal Anvisa

Alguns países exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Prolafixia, que atesta entre outras vacinas a da febre amarela. Não é emitido o certificado para quem tomou a dose fracionada da vacina, pois o fracionamento não é aceito pela OMS. Para quem precisa da dose padrão, é necessário apresentar um comprovante de viagem, nos locais onde a vacina esteja sendo fracionada.

Após tomar a vacina é necessário realizar um pré-cadastro para a emissão do certificado no site da Anvisa nesse link: https://viajante.anvisa.gov.br/viajante/. Na opção “Cadastrar Novo” digite seus dados e defina senha (o login é definido pelo sistema). Eu não consegui realizar o cadastro. Depois de preencher tudo e clicar em enviar, apareceu uma mensagem de erro no salvamento de dados.

Nesse site tem a lista dos Centros de Orientação para a Saúde do Viajante da Anvisa, onde são emitidos os CIVPs  É necessário levar o cartão de vacinação e documento de identidade para a emissão do CIVP. O documento fica pronto na hora.

Comprovante de vacinação que deve ser levado a Anvisa

Alguns países como Austrália, Bolívia, China, Colômbia, Panamá, Nicarágua, Venezuela e Cuba exigem o CIVPs. Para saber quais Países exigem o certificado acesse esse link :   https://viajante.anvisa.gov.br/viajante/paf_web_frmRoteiroViagem.asp.  Selecione o país que deseja consultar e irá aparecer todas a(s) vacina(s) exigida(s).

Nos casos em que a pessoa está no grupo de contra indicação da vacina, deve apresentar um  Atestado Médico de Isenção de Vacinação, em inglês ou francês emitido por um médico e atestado pela Anvisa.

Outras dúvidas sobre a vacinação e certificado podem ser tiradas no site da Anvisa (clique aqui)

Informações sobre transmissão, diagnóstico e tratamento da febre amarela consulte o site do Ministério da Saúde neste link.

A culpa não é do macaco!

Os macacos assim como os seres humanos são vítimas dos mosquitos transmissores da febre amarela e não transmissores da doença como muitas pessoas pensam. Com isso registrou-se um grande número de mortes de macacos por pessoas com medo de que os mesmos transmitissem as doenças. Na verdade a morte dos macacos pela febre amarela indica que o vírus está circulando naquele local e serve de alerta.

Segundo recomendação do ICMBio :

Ao encontrar macacos mortos, ou caídos no solo e/ou notadamente fragilizados:

* Não manipular os animais, pelo risco de contaminação por outras doenças (não pelo vírus da febre amarela);

* Deve-se comunicar imediatamente às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, e/ou Delegacias do Ministério da Saúde, responsáveis por analisar os casos e investigar a circulação do vírus da febre amarela;

Ao encontrar macacos vivos, sadios e em vida livre, os mesmos:

* Não capturar;

*Não alimentar;

*Não retirar do seu hábitat;

*Não translocar para outras áreas;

*Não agredir e muito menos matar.

Ao presenciar ou saber de agressões e matanças de macacos (Primatas Não-Humanos):

* Denunciar às autoridades de meio ambiente (Secretarias Municipais e Estaduais, Ibama, Polícia Ambiental/Florestal), pois isto constitui crime ambiental e prejudica o trabalho de vigilância sanitária, inclusive para prevenir o agravamento dos surtos de febre amarela.

 

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About Juh Oliveira

Arquiteta, guia de turismo e futura turismológa. Habitante de Baixada Fluminense. Apaixonada por viagem, fotografia e por descobrir novos lugares.

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