Descobridor da vez: pedal pelo Vale do Café – por Alexandre Pinheiro

Com muito orgulho hoje posto o relato do Descobridor da Vez: Alexandre Pinheiro. Dai, como é conhecido, é meu primo (viajar tá no sangue hahaha) e vira e mexe tá indo pra algum lugar legal com sua bike.

Ele pegou a estrada com a “magrela” rumo à região do Vale do Café, aqui no Rio de Janeiro, pra curtir um festival de rock 🤘

No 21 de abril de 2018, iniciei a jornada  para realizar mais um sonho: o de pedalar pelo Vale do Café do Estado do Rio de Janeiro. Saí de casa em Belford Roxo, as seis e meia da manhã e me encontrei com uma galera que ia para Aparecida do Norte, eram mais de cinquenta( pra vocês verem como tem maluco nesse mundo). Pedalamos juntos até a Serra das Araras. No meio do caminho pegamos um senhor pé d’água, mas faz parte, com certeza enfrentaria outros até o fim da jornada. Na subida da serra, um pneu furado, “espero que seja o único” pensei.  Mas se não for, paciência, são os ossos do ofício. Minha segunda parada foi em Piraí, cidadezinha tranquila e simpática, continuando cheguei em Barra do Piraí, mesma coisa. Minha vontade mesmo era estar em Ipiabas.  Quando cheguei na BR-363, faltavam só 9 km, fiquei todo bobo, pensei “rapidinho chegarei lá”. A estrada é conhecida como Rodovia das Trovas( a via tem esse apelido pelo fato de ter em sua extensão vários textos escritos pelo médico Orlando Riccieri, morador de Ipiabas), mas o que tem de bonita, tem de difícil! É um sobe e desce sem parar, mas sobe do que desce, tanto que em determinado momento me perguntei o que eu estava fazendo ali. O problema maior era o peso da bagagem que eu estava carregando, mais de 30kg( tinha muita coisa desnecessária, coisas da primeira viagem, depois a gente aprende). Finalmente cheguei e fui logo procurar o local onde me hospedaria. Só pelo lugar já valeu a pena o passeio, um hostel colonial, agradável, aconchegante, bonito e barato. Eram quase 4 da tarde, eu estava morto de cansaço e fome, pois na ânsia de chegar , quase não parei. Chegando lá tomei um banho, saí pra comer alguma cois. Fui parar no Zappa Restaurante, um bar com temática rock, não podia ser diferente. Como voltei pro hostel e apaguei, acordei com o som do festival que fica bem em frente a hospedagem e por falar em festival, esse também é um dos motivos de eu estar aqui. É um festival de bandas cover de rock, o IPIABAS ROCK COVER, que está na sua terceira edição. O festival não é, e pelo jeito não pretende ser nenhum megaevento, mas não deixa a desejar, no meu primeiro dia vi os covers do Engenheiros, Duran Duran, Maroon Five e Legião Urbana( que arrebentaram).

No domingo uma das maiores expectativas era o café da manhã, regado a cerveja artesanal, segundo os organizadores é um costume alemão e belga. Foi uma experiência diferente e muito prazerosa. Me  alimentar de manhã ouvindo um blues da melhor qualidade , degustando vários pratos diferentes e tomando vários tipos de cerveja. Foi inesquecível, além de uma pequena aula sobre a origem e os sabores dessa bebida tão apreciada desde a antiguidade. O negócio rendeu até quase meio dia, mas eu não vim aqui só pra beber e comer, vim também pra pedalar e pedalando fui conhecer a cachoeira da Floresta que fica a uns 7km do hostel. Gente, que lugar bonito! Até então nunca tinha conhecido uma cachoeira com aquela formação. Na visita ainda tive o privilégio de encontrar um grupo de pessoas realizando um culto de religião de matriz africana, fui muito bem recebido e tomei um caldo de aipim feito na lenha, que estava divino, queria até ficar mais, mas ainda tinha outros lugares pra visitar. Saindo de lá fui conhecer a Pedra do Gavião e o Túnel da  antiga companhia mineira de mineração, passando também pela Serra das Minhocas. No retorno ainda visitei as duas microcervejarias da região, a Three Rocks e a Badopi , experimentando logicamente seus produtos. A noite rolou mais uma etapa do show com os covers do Charlie Brown, Pitty, O Rappa, Pearl Jam e Linkin Park, o coro comeu…

Cachoeira da Floresta
Túnel
Cervejaria Three Rocks

Segunda-feira saí de Ipiabas com destino Rio Preto-MG, que fica a cerca de 100km de distância.  Pelo caminho passei em Conservatória, a famosa cidade das serestas, tirei umas fotos e parti pra Santa Izabel, no município de Valença. No caminho pude contemplar vários pontos turísticos, como a Ponte dos Arcos e o mirante da Serra da Beleza, que tem um visual de tirar o fôlego. Segundo os moradores já foram vistos vários OVNI’S circulando por ali. Na serra tem também um restaurante que serve uma comida na lenha tão boa, que o dono disponibilizou redes para os clientes tirarem aquele cochilo depois do almoço e logicamente fiz uso de uma delas. Terminada a sesta, peguei novamente a estrada. Logo após a divisa dos estados do Rio com Minas, passei pela Fazenda Santa Clara, mais um símbolo de um tempo de riqueza, mas que agora encontra se em decadência. Finalmente cheguei no meu destino, uma cidadezinha bem típica do interior Minas, com várias igrejas, uma pracinha com chafariz e o pessoal jogando conversa fora. Encontrei a Pousada Vila Verde,aluguei um quarto e fui descansar, porque no dia seguinte tinha mais…

Conservatória

Serra da Beleza

Terça, sete da manhã já estava de pé. Depois de um café da manhã reforçado pego a estrada em direção a Rio das Flores, só que vou por uma estrada alternativa, seguindo a margem do rio Preto. Toda de terra batida e cascalhos, sigo nela até a antiga estação de  Engenheiro Alberto Furtado, alí peguei a direção errada e fui parar em uma estrada que eu não sabia pra onde ia, quem me salvou foi um ciclista chamado Paulo Renato, camarada gente boa, morador da região. Além de me ensinar o caminho, ele me levou a alguns pontos turísticos de Valença, como o distrito de Parapeuna e a cachoeira do Rio Bonito. Me deu algumas dicas e insistiu que fosse até sua casa para almoçar, mas já era um pouco tarde e eu queria logo chegar no meu destino. Pedaleira mais uns trinta km e finalmente cheguei em Rio das Flores. O cidadezinha simples e bonita. Cheguei, me hospedei, almocei e fui conhecer alguns lugares, tais como a igreja onde Santos Dumont foi batizado, o mirante da Boa Vista e a cachoeira do Funil. Queria ir a outros lugares, mas o tempo era curto, logo anoiteceu e eu saí pra jantar e me preparar para o dia seguinte, que seria o dia do retorno…

Igreja onde Santos Dumont foi batizado

Quarta-feira, dia 25 , depois de um delicioso e nutritivo café da manhã, peguei a estrada. Me foi indicado pela proprietária da pousada um caminho que seria mais curto pra chegar em Valença, ela me disse que tinha uma subidinha, mas que era tranquila. Pra quê?! Era uma serra que não tinha fim. Ainda tive que retornar uns quatro km, pois tinha me dado conta de ter esquecido as luvas e o pior, não encontrei mais. Percorridos 28 km cheguei em Paraíba do sul, peguei a RJ 323, passei por Vassouras, onde parei pra almoçar na pensão da lolo, aí veio Mendes, Paulo de Frontin, Paracambi e via Dutra, finalmente casa.

Foi uma das melhores experiências que vivi, conheci lugares novos, descobri como é bonito o  nosso Estado, percebi que não precisa gastar muito pra se divertir . Novos passeio virão. Até a próxima!

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About Juh Oliveira

Arquiteta, guia de turismo e futura turismológa. Habitante de Baixada Fluminense. Apaixonada por viagem, fotografia e por descobrir novos lugares.

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